sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Medéia?

Aquela louca , insana, apaixonada, amava tanto!
Amava? Amava nada! Odiava, odiava tanto!
Odiava nada, só destruía a tudo,
a si mesma, a quem amava, a quem confiava ...
Confiava tanto que a si condenava.
Desconfiada tanto. Não confiava nada!
Queria em troca o aprisionamento, a abnegação, a falência ...
A quem amava?
Amava tão somente a loucura,
a loucura que dela emanava!


(S.S.)


Percebemos que o consciente e o inconsciente de Medéia estão numa situação de profundo atrito psicológico: “(...) assim são as indecisões de meu coração: a ira expulsa a piedade, a piedade expulsa a ira”. (Medeia, trad. Leoni, 107).
A partir de uma forte emoção, a saber, com a perda do amor de Jasão, que representava tudo para ela: “... Prepara-te para ser ainda digna de ti mesma. Não há mais nada de sagrado para ti... ”(Medeia, trad. Leoni, 107), Medeia perde as forças para o inconsciente; tem um enfraquecimento,” (...) Ó minha alma, tu vacilas... Por que sou arrastada por impulsos contraditórios, entre o ódio e o amor?” (Medeia, trad. Leoni, 107).
Medeia entranuma situação de “abaissement” pela luta interior que se se encontrava, pois, dentro de si a Medéia que matou o irmão, o tio de Jason e roubou o tesouro do pai, entre outros crimes, tudo em nome do amor; ganha força alimentada pela vingança, (“Meu ódio não foi senão um prelúdio: era possível ousar algo verdadeiramente grandioso com mãos ainda inexperientes?... Agora, só agora sou medeia: meu talento tornou-se grande no mal” (Medeia, trad. Leoni, 107), guiada pela intensidade da ira causada pela dor da rejeição e culmina na loucura. “(...)Sou feliz, sim, sou feliz por ter cortado a cabeça de meu irmão; feliz por ter esquartejado o seu corpo... O meu ódio, tu não deves senão procurar um objeto: seja qual for o crime...” (Medeia, trad. Leoni, 107).

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